Tentando voltar a traçar metas.

   Eu não pretendo postar todos os dias. A ideia é postar uma vez na semana para atualizar sobre a "dieta" e o peso. Mas, hoje estou de folga e decidi usar um pouco do meu tempo para vir aqui.

   Baseado no velho clichê que citei ontem, eu decidi nomear meu planejamento/"dieta" atual de "Você é aquilo que você come". Para mim, esse clichê tem sido poderoso, pois penso em comer um pão cheio de massa, queijo e maionese e penso que sou aquilo: aquele monte de calorias me definindo no monte de gordura apática e conformada que me tornei. Eu não quero ser mais uma gorda patética e fracassada. Tendo dito isso, desisto da porcaria do pão e me contento com minha caneca de café. Por incrível que pareça, nem fome tenho sentido. 

     Enfim... Como eu sempre gostei de expor meus planejamentos, aqui vai o atual:


- Plano de dieta "Você é aquilo que você come".

Início: 27/03/2023    ||    Peso inicial:             80,700 kg

Final:  ???                     ||    Peso meta inicial:    69,00 kg 


Objetivos: 1) Alcançar um peso seguro, longe dos 80 kg, para poder reavaliar a meta. Por enquanto, o objetivo de peso é chegar aos 69,00 kg, para o qual eu tenho que eliminar 11,700 kg. 2) não ultrapassar 900 kcal diárias. 3) evitar frituras, pães e massas em geral, doces e tudo que for grotescamente coisa de gordo. Lembre-se: Você é aquilo que você come. Se comer porcaria, se sentirá uma porcaria. Contra fatos, não há argumentos.

Cardápio até o momento: 

Dia 27/03:

Manhã: omelete (2 ovos) com um pouquinho de maionese (220 kcal + 40 kcal = 260 kcal / não foi utilizado nenhum tipo de óleo no preparo do omelete) + uma caneca de café .

Tarde: 500 gramas de uva verde sem semente (270 kcal).

Noite: uma caneca de chá de camomila. 

Total do dia: 530 kcal (aproximado, já que as informações sobre as kcals do ovo variam).


Dia 28/03 (hoje):

Manhã: nada.

Tarde: 1 caneca de café. 

Noite: 1 caneca de café no início da noite; 2 bananas (aproximadamente 300 kcal) + 2 colheres de aveia em flocos (2 colheres de sopa/30 gramas contém 102 kcal). Uma caneca de chá de camomila no final da noite.

Total do dia: 402 kcal, aproximadamente. 


     Atualmente, estou sem pilhas na minha balança de alimentos, o que significa que os valores das calorias estão sempre aproximados, já que não há como precisar o peso e apenas estimar com medidas não muito confiáveis, como "uma colher de sopa" ou "uma banana pequena". As informações sobre as calorias da banana, assim como as do ovo, variam de fonte para fonte... Por isso, cheguei ao valor aproximado de 150 kcal cada banana pequena. 

     Como aqui ainda são 17h30, o cardápio da noite é o que pretendo consumir. Havendo variações, voltarei aqui para editar. Provável que agora eu volte só segunda-feira mesmo, para poder trazer boas notícias sobre o meu planejamento. Não dá para permanecer gorda. Simplesmente não dá. 

O velho clichê: "Você é aquilo que você come."

     Eu não tenho apenas me sentido pesada. Eu estou pesada. 80,700 kg, esse é o meu peso de hoje. Simplesmente não dá para continuar assim. Há pessoas que conseguem viver com mais de 100 kg. Eu definitivamente não sou uma delas. Na casa dos 80 kg, tudo começa a ficar mais difícil para mim. É como se eu carregasse um boi nas costas quando ando. Insuportável. Nojento. Repugnante. Talvez seja por conta da minha altura, míseros 1,60 cm. 

     Hoje eu comecei uma dieta bem básica. O objetivo é não ultrapassar 900 kcal e escolher bem o que ponho na boca. Se eu como porcaria, continuarei me sentindo uma porcaria. Isso é tão óbvio. Eu quero voltar a me sentir bem. Quero voltar a me sentir no controle, como costumava me sentir anos atrás. 

     Hoje é um daqueles dias que eu saí de casa 6h da manhã e retorno só às 23h. Odeio esses dias, mas sei que são necessários para que me torne alguém que preste. 

Cardápio do dia: 

Manhã: omelete (2 ovos) com um pouquinho de maionese (220 kcal + 40 kcal = 260 kcal)+ uma caneca de café. 

Tarde: 500 gramas de uva verde sem semente (270 kcal)

Noite: uma caneca de chá de camomila. 

Total do dia: 530 kcal (aproximado, já que as informações sobre as kcals do ovo variam)

Então, isso é 2023?

          Finalmente estou dando notícias após um tempo longe. Resumindo as coisas referente ao final do ano passado, eu consegui passar em quase todas as matérias do semestre, exceto por uma: Genética. Em suma, fiquei de DP nessa matéria e é isso. No mais, eu passei com notas "ok", entre 7 e 9. Achei até que tive muita sorte, pois de fato não estudei nada e tampouco sou tão inteligente assim para saber tudo sem estudar. Foi real sorte. Ao menos em algo... Obrigada Universo. 

          Ainda em tempo, é importante frisar aqui que o tal plano mencionado para organizar minha rotina no post passado (o qual escrevi em setembro), não foi a lugar algum. Eu concluí o semestre em meio ao caos criado por mim e dessa vez deu certo novamente. Mas, até quando? Que seja...

          Agora, 2023, vou te falar... Que ano que começou cagado, hein? Espero que para a maioria de vocês esteja sendo diferente, mas o meu começou bem atolado na bosta! Vamos lá:

— Meu quarto está com uma goteira que parece mais um dilúvio e não tenho dinheiro para chamar alguém para arrumar, além da chuva que não para e ninguém sobe em telhado para consertar na chuva. Talvez, mês que vem eu consiga dar jeito nisso, até lá, é aturar o quarto alagando toda vez que chove;

— Estou dormindo com o colchão no chão porque o estrado da cama cedeu devido a umidade. Isso já faz mais de um mês. Minha coluna clama por misericórdia! Infelizmente, não será por hora...;

— No trabalho, as coisas vão muito bem para mim, obrigada. Não fui promovida e nem nada do tipo, porém acho bastante "ok" o salário que recebo e trabalho pertinho de casa, o que me faz não encontrar motivos para reclamar. Porém, o pessoal de lá está com uma negatividade que é necessário ter muita resiliência para não se deixar contagiar por essa aura nociva. Claro que quando digo "aura" estou apenas sendo sarcástica, pois não é como se eu fosse alguém espiritualizada o suficiente para acreditar nessas coisas. Ainda assim, eu acredito muito que o corpo humano é repleto de energia e ele emana isso ao seu redor e contagia os demais. Infelizmente, o pessoal do trabalho reclama muito de barriga cheia, passam a maior parte do tempo olhando o umbigo do outro ao invés de olhar o seu próprio. Eles me cansam, mas costumo repetir para mim mesma de que estou "blindada" diante da maré derrotista deles. Novamente, "blindada" é mais um termo que utilizo como piadinha interna comigo mesma, então não se apeguem a isso...;

— O hipermercado no qual minha mãe trabalha foi vendido e ao que parece ela vai pedir para ser mandada embora (o que deve ocorrer só após eles fecharem a loja), pois as condições de transferência para outro lugar são péssimas e inviáveis. Ela está vendo tudo isso com certa negatividade também, como se ao se aposentar fosse morrer ou algo assim. É um direito dela encarar isso como melhor lhe convir, mas é um fato de que a casa onde moramos está com um ar opressor diante de tanto pessimismo e desânimo.

          Como podem ver, não são problemas grandiosos. Mas como dito acima, a energia conta muito quando se trata do nosso ânimo. Estou tentando me manter positiva para não me deixar atolar de vez no mar de bosta e acreditar que quando o ano começa ruim é porque tende a melhorar até o final dele... Espero não ter que rir da minha própria cara de palhaça em dezembro ao reler este post. Hahaha.

          Como no meu mundo nenhum ano começa de verdade até que se trace suas metas, aqui vão as minhas: 

— Voltar aos 64 kg até o final do ano. Porque emagrecer sempre será uma meta, fadada ao fracasso ou não. Hoje estou com 81,400 kg. Mas, na segunda-feira eu estava com 79 kg. Eu sendo a grande sanfona ambulante de sempre? Surpreende zero pessoas;

— Levantar mais cedo e tentar ir dormir mais cedo também;

— Me alimentar melhor e me exercitar, nem que seja meia hora de bicicleta ergométrica por dia;

— Largar o cigarro de uma vez. Essa é a meta mais divertida, pois nunca chega a lugar nenhum. Mas, vamos ver... Não custa nada tentar novamente. Eu começo a contar os dias sem fumar a partir de hoje, pois ontem terminei com meu maço... Hahaha;

— Me dedicar mais aos estudos e ler mais livros relacionados ao meu curso, que é Psicologia. Afinal, estou indo para o 3º semestre e preciso focar mais;

— Quitar minhas dívidas e tentar guardar algum dinheiro para uma hora conseguir comprar um carro.

          No geral é isso. Nenhuma meta mirabolante, apenas metas para manter o ano nos eixos e evitar maiores problemas no futuro. Também pretendo continuar com minha postura de rir das próprias mazelas, pois não vou me deixar abater esse ano. Sei que terei dias péssimos e deprimentes, como já tive essa semana, mas pretendo fazer o de sempre: sofro no momento, faço meu drama sozinha e ponto. Bola para frente e nada de ficar arrastando as coisas como se fossem as maiores penúrias já enfrentadas por alguém vivo! Nah. Nada de drama desnecessário. 

          Bom 2023 aos sobreviventes de 2022. Que consigamos todos chegar em 2024 o mais ilesos possível. 

Caos desnecessário.

      Olá! 

    Demorei para passar aqui devido ao suposto caos no qual vivo atualmente. O mais problemático desse caos é que ele é totalmente desnecessário. Se eu fosse mais honesta comigo mesma e organizada, não precisaria sambar em meio ao suposto furacão que é minha vida cheia de grandes nadas. 

     Vou tentar contextualizar as coisas para que compreendam como o caos é total (des)culpa minha para justificar muitas coisas erradas que faço ou deixo de fazer. 

     Minha rotina atual é a seguinte: 

— Estudo de terça, quinta e sexta-feira, pois mesmo meu curso sendo da modalidade 100% presencial (o que já é uma piada por si só) o MEC autoriza que 40% da grade curricular do curso seja oferecida de forma online. Assim sendo, acabo com as manhãs de segunda e quinta-feira livres. No mais, acordo às 5h e saio de casa 5:40h para ir para a faculdade. 

— Meu trabalho é das 14h às 22:20h, mas costumo sair umas 22:30h. Folgo de forma fixa todas as terças-feiras, onde tenho os períodos da tarde e noite livres. Quando não tenho faculdade, saio de casa 13:20h, pois moro pertinho do trabalho. Nos dias em que tenho aula, vou direto para o trabalho. 

— Minhas manhãs de segunda, quinta, sábado e domingo são livres. Apenas nos últimos 2 meses sendo ocupadas vez ou outra por consultas ao dentista.

     Dado o atual contexto, como eu posso continuar utilizando da desculpa de "não ter tempo" para estudar o que devo? Eu digo que não tenho tempo para tudo que não quero fazer, essa que é a verdade. Eu prefiro dormir do que estudar, então me convenço que durmo muito tarde e acordo muito cedo nos dias que tenho aula e mereço dormir nos dias que não tenho. É engraçado como isso cola para eu me convencer de que sou muito esforçada. Eu não sou. Eu devia aproveitar as manhãs livres para estudar, fazer minhas atividades complementares (as quais devo entregar 240 horas até o 6º semestre e não entreguei nada até o momento), para me exercitar... Eu devia tantas coisas! E no entanto, não entrego nem metade.

     As pessoas dizem que eu sou muito dedicada e esforçada, mas isso é apenas porque elas não sabem da verdade por trás dessa máscara que eu própria faço questão de sustentar.  A verdade é totalmente deprimente: eu empurro as coisas com a barriga, como sempre fiz na vida e finjo que danço lindamente em meio ao caos, gritando aos quatro ventos o quão minha vida é caótica e como eu consigo lidar perfeitamente com isso. Gente... Eu não lido é com nada. Eu arrasto as coisas e algumas vezes dou sorte de darem certo. Mas, cedo ou tarde, a merda acaba sendo jogada no ventilador e respinga para todos os lados. Principalmente na minha cara de palhaça. 

     Certo. Eu já identifiquei e assumi o problema. Por que ainda não mudei? "Não sei." Mentira, porque sei sim! Por mais ridículo que possa soar, a verdade é que esse método nada convencional tem funcionado até o momento e sem exigir muito esforço da minha parte. Mas, então porque mudar? A longo prazo, não irá mais funcionar. Esse é um método que deve ser usado momentaneamente, quando a vida está de fato atribulada e você é obrigado a sambar na corda bamba para se virar. NÃO É MEU CASO. E eu preciso parar de convencer a mim mesma de que é meu caso, só para que eu consiga manter essa farsa por mais tempo. 

     Para ficar claro: é mentira minha dizer que não tenho tempo. É mentira minha dizer que mereço dormir mais por dormir pouco. Eu durmo pouco mesmo, mas novamente, é culpa minha e escolha minha. Não sou obrigada a ir dormir 3h da manhã no dia que tenho que levantar às 5h! Eu poderia dormir mais cedo, à meia-noite, por exemplo. "Ah, mas eu não consegui dormir". Aí é um problema seu (no caso meu) e de mais ninguém. Mas usar isso para justificar o fato de dormir até 12:20h nos dias que não tem aula, é errado e é autossabotagem. Ponto. Eu sei que deveria acordar mais cedo para estudar, mas não quero estudar, então uso o suposto cansaço que eu mesma provoquei para justificar meu momento de estudo negligenciado. É tão óbvio. 

     Resumo da ópera: mais uma vez eu vou tentar me organizar. Mas não "tentar" sem fazer nada, esperando obter resultados mas sabendo que nada vai acontecer, pois de fato nada fiz e assim sendo, nada mudará. Eu vou de fato tentar, traçando um plano e o colocando em prática. 

     O plano: 

     É simples. Acordar cedo, no máximo às 8h da manhã. Levantar no máximo às 9h. Tomar um banho e um café. Estudar um pouco até meio-dia, almoçar e ir trabalhar. Dormir no máximo até às 2h e ponto. Não parece difícil, mas toda mudança de hábito exige esforço e um pouco de luta interna contra a autossabotagem, ainda mais quando essa dinâmica  de ferrar a si mesma já está enraizada no âmago de seu ser. Você aprendeu a se autossabotar, também pode aprender a se organizar, mas não sem algum esforço e incômodo inicial. E eu estou disposta a me sentir incomodada de início, mas sei que a longo prazo, esse é o caminho mais saudável para conquistar meu mérito pessoal no futuro. Nenhuma semente podre dá bons frutos. Se quer frutos saudáveis, a semente precisa ser saudável também. Mais uma constatação óbvia, mas que estou sempre negligenciando e ignorando.

     Para finalizar, preciso falar da minha alimentação, tão ruim quanto o contexto todo que já citei aqui. Eu tenho comido qualquer coisa e em horários diversos. É preciso uma rotina alimentar com escolhas saudáveis para se ter um corpo saudável. Hoje eu estou muito óbvia em minhas observações, mas são apenas fatos e fatos tendem a ser óbvios, mas não enxergamos porque é mais fácil criar desculpas para não vê-los.

     Pretendo tomar uma vitamina com leite de amêndoas pela manhã. No almoço comer legumes, como fazia antigamente. De noite, tomar um chá e apenas isso. Quero voltar a me exercitar, mas isso é para depois, uma coisa de cada vez. Para esse mês, quero apenas uma alimentação e rotina mais saudáveis. 

     Me pesei ontem e estou com 80 kg redondos. Isso também é ridículo. Mas, aos poucos, vou caminhar para mudar as coisas que me incomodam, meu peso sendo uma delas. 

     Espero que estejam bem. Ainda essa semana, irei passar em vossos blogs, infelizmente são poucos os que possuem atualizações. Mas, agradeço sinceramente aquelas que continuam aqui. ♥

Sobre os dias dos pais + Foto dos meus 12 anos com meu pai.

          Olá! 

        Não tenho aparecido aqui nos últimos dias por conta do começo das aulas. Estudar e trabalhar é algo um pouco cansativo, pois saio de casa 5h da manhã e retorno apenas ás 23h. Então acaba sendo um pouco puxado. Mas, o importante é dar conta no final do semestre, então está ótimo. 

         Hoje eu não quero falar sobre dieta e peso, pois não tenho me pesado e a dieta tem estado um caos. Então, é melhor deixar esse assunto para o final do mês ou começo de setembro, onde terei que me pesar e acordar para a realidade. Em suma, hoje quero falar não exatamente sobre o dia dos pais, mas sim sobre o que ele lembra: o fato de ainda ter um pai e como me sinto sobre isso e sobre a existência do meu. 

          Quem acompanha o blog está acostumado a me ver falar vez ou outra sobre minha mãe e o quanto gosto dela e etc, mas raramente falo do meu pai, então quis falar um pouco sobre isso hoje. Talvez com a intenção de apenas registrar sobre o assunto, ou talvez eu queira de fato "desabafar" algumas coisas sobre o tópico. Então, vamos lá!

             Estive relendo alguns posts meus bem antigos, da época da adolescência — entre meus 16 até 18 anos —, e percebi que nas vezes em que falava do meu pai, eu só reclamava. A verdade é que ele sempre foi uma pessoa difícil... Isso não significa que eu não goste dele, por mais que preferiria não gostar. Ás vezes é mais fácil apenas não sentir nada ou sentir algo negativo... Admitir que no fundo eu gosto dele é complicado. Meu pai nunca foi de demonstrar muito afeto —  infelizmente, eu também sou assim — e diante disso, sempre fui obrigada a sentir que ele gostava de mim (ao menos um pouco) através de seus gestos — e novamente, eu também sou assim, costumo demonstrar que sinto apreço por alguém através de gestos, que infelizmente, nem sempre são compreendidos e a pessoa pode pensar que não gosto dela, mas não é bem assim... 

           Retomando... O que quero dizer, é que aprendi a perceber que talvez ele goste de mim — ou tenha gostado em algum ponto de sua vida — através de seus gestos. Meu pai sempre foi meio mão de vaca, hahahahaha, Sério. E quando eu era mais nova — entre meus 11/12 anos —, sentia que meu pai gostava de mim quando ele me dava algum dinheiro. Não precisava ser muito... Algumas vezes era 10 reais para gastar em uma doceria, em outras 50 reais — que à mais de 10 anos atrás era uma quantidade significativa — e em outras vezes, ele me surpreendia com um presente que eu não esperava, como por exemplo, meu mp3, que na época que foi inventado era meio caro... Depois, eu me lembro do dia em que ganhei meu mp4 e no quanto eu amava aquele aparelho, mas eu não gostava dele pelo o que ele era e sim por quem tinha me dado: meu pai. Lembro também do meu primeiro celular (que devo ter ganhado aos meus 12 anos), que era um daqueles da Nokia, da cor azul e bem estilo "tijolo", mas na época era lançamento e etc... E lembro de na época nem pensar em ter um celular e nem ter pedido um para ele. De repente, ele tinha dado um celular para mim e outro para minha irmã. Como eu disse, ele era mão de vaca, mas o que ele dava para uma filha, ele dava para a outra. Resumindo, são coisas assim que fizeram com que eu gostasse dele, esses gestos inesperados mas que mostravam que ele sentia algo... Mas não apenas isso: objetos caros ou dinheiro no bolso. Ele me proporcionou alguns momentos dos quais me lembro com certo carinho... 

           Meu pai sempre foi muito metódico e gostava das coisas "certas" e do jeito dele — o que também me lembra um pouco. Então, quando ele deixava minha irmã e eu jogarmos os colchões na sala e dormir ali, era ele deixando o controle e frescuras de lado para nos deixar sermos felizes um pouco. Houveram também as vezes em que íamos à praia — nessa época meus pais ainda eram casados, então, de vez em quando, havia aquela sensação de pertencer a uma família "padrão" — e vou citar em tópicos alguns momentos que me marcaram até hoje, quando íamos ao litoral:

— Meu pai costumava nos levar nessas lojas "á partir de 1 real" e nos deixar escolher o que queríamos. Normalmente, eu comprava kits de caneta em gel, lembrancinhas para minhas amigas, cadernos para escrever, diários com cadeados... E ele costumava dar um valor X que podíamos gastar, mas lembro de passar o valor algumas vezes e ainda assim, ele acabar me deixando levar o que eu tinha pegado;

— Nas noites em que o tempo estava bom, lembro dele nos levar à sorveteria, onde tomávamos sorvete como uma família normal, e antes da sorveteria, ele costumava nos levar em uma feira de artesanatos, onde eu sempre comprava pulseiras, colares, anéis e brincos. Minha mãe também comprava algo para ela, o que é significante, pois como ela não trabalhava na época, era ele quem pagava as coisas dela;

— Lembro de algumas noites ele fazer cócegas em mim. Eu tinha muita cócegas nas coxas e lembro que ele me "atacava" quando estava de bom humor e eu chegava a chorar de tanto rir por conta das tais cócegas. Realmente, são boas memórias...

          Infelizmente, essas são as únicas lembranças boas que tenho dele. E novamente, infelizmente, eu consigo lembrar de pequenos detalhes que mancham todas essas lembranças. Por isso disse no início que é um relacionamento complicado... Hoje em dia, nos damos bem, mas porque não nos falamos por mais de 5 minutos, e isso não é legal. Ainda em tópicos, vou citar o que mancham essas lembranças: 

— As milhares de vezes em que ele confiscou os presentes dados por conta de "algo errado" que eu fiz. Por exemplo, ele confiscava meu celular muitas vezes por eu não dormir na hora em que ele queria. Confiscou o tal mp3 e posteriormente o tal mp4 apenas por achar que eu estava escutando música que não presta, ou até mesmo escondia o  moldem  do computador por estar irritado com minha mãe, nada relacionado com as filhas, mas pagávamos por isso;

— As vezes em que íamos ao litoral e ele se recusava a sair com a gente — minha mãe, irmã e eu —por apenas estar em um mau dia e ele dizia que a culpa era da minha mãe que o tinha irritado — normalmente, ela tinha mesmo o irritado, mas apenas por chamar atenção dele por ele ter bebido demais ou algo assim; 

— Em suma, as tantas vezes em que meu pai brigou e/ou ficou de cara feia com a minha mãe por terem brigado por algo que ele havia feito: ou tinha sido grosso com ela ou tinha bebido além da conta. Normalmente, as duas coisas andavam junto: ele bebia além da conta e se tornava facilmente irritável. 

          Esse post está ridiculamente grande. Mas, a verdade é que ele é mais para mim do que para qualquer outra pessoa, então não fico ofendida por ninguém ler, porém eu preciso "falar". 

           Ainda sobre os tais gestos que denotam algum tipo de afeto, meu pai mantém isso até os dias atuais. Como eu disse, não nos falamos muito hoje em dia, mas a realidade é que ele mora na casa ao lado da minha. De vez em quando eu o vejo... Algumas vezes ele não fala muita coisa, além de me dar um bom dia e depois ficar fazendo carinho em algum dos meus cachorros, como quem faz graça para chamar algum tipo de atenção. Outros dias, ele pergunta coisas óbvias e levianas, do tipo "Vai trabalhar hoje?", "Sua mãe foi trabalhar?" e coisas assim, que ele já sabe a resposta, mas é como se quisesse puxar algum assunto que ele sabe que não vai vir. E, em outros dias, ele pede para eu esperar um minuto e sobe até a casa dele, descendo em seguida com algum bombom, ou coisa assim... Algumas vezes eu acredito que ele só está dando o que seja porque está vencendo, ou sobrando de alguma forma. Em outras vezes, eu sou mais otimista e tento acreditar que é a forma dele de fazer algum tipo de "agrado" hoje em dia, já que não temos mais nenhum momento juntos. 

           Enfim... A última coisa que quero deixar registrado, pois tenho receio do tempo apagar essa lembrança, é sobre as vezes em que meu pai ia viajar por algum motivo — normalmente, para a casa que tínhamos na praia para "trabalhar na construção dela", algo que com o tempo eu descobri que ele ia para Itanhaém sim, mas beber com os amigos e não "construir" alguma coisa, tanto que esse ano o terreno dessa casa foi vendido, porque ela nunca foi e jamais seria terminada... — e nessas viagens ele costumava ficar três dias ou até uma semana fora. Eu lembro de pegar as roupas dele e ficar sentido o cheiro, pois ele usava um perfume bem marcante e que até hoje me lembro da fragrância, e eu chorava... Eu chorava sentindo saudades dele, pois realmente gostava do meu pai naquela época. Não que hoje eu não goste, pois sei que no fundo eu gosto, por mais que queira negar... Mas, hoje em dia, o sentimento é bem mais leve, é mais um "gostar" pelo fato de ser meu pai e é isso. Mas, quando eu tinha meus 4 até uns 9 anos, eu realmente o amava. Eu lembro de ter achado ele incrível até uma certa época da infância. Mas, a gente cresce e aprender a ver a vida como é e não como queremos que seja... 

             Eu realmente escrevi muito, mas é porque eu precisava. Tinha que colocar algumas coisas para fora sobre meu pai. Sei que ainda não coloquei tudo o que queria para fora, mas sei que estou no caminho certo para digerir essa parte da minha vida. Estar cursando psicologia me incentiva muito a resolver essas pendências emocionais, para que eu me torne uma pessoa 100% resolvida e possa ajudar o próximo sem ter feridas que possam se abrir com  o tempo por conta de algum gatilho ou algo assim. Eu quero realmente superar tudo o que passei e não apenas fingir. O que me lembra de falar sobre ter sido molestada na infância pelo irmão da minha mãe, mas isso fica para outro post, claro...

            Finalizando esse post, eu quero apenas dizer que atualmente, eu compreendo que meu pai fez o que podia e conseguia fazer na época. O contexto familiar dele não é dos melhores. A mãe era desleixada e o pai eu imagino que fosse muito rígido. Acabou que ele se tornou um pai que não sabia bem como agir e na cabeça dele, tenho certeza que ele foi melhor do que os pais deles e tão bom quanto ele conseguia ser. Eu também não fui a filha perfeita e está tudo ok... Eu acho. Espero ter a chance de ter uma conversa franca com ele antes dele morrer e deixar claro que não o culpo e que sou grata pelos bons momentos...

              Vou deixar aqui uma foto dele para que o conheçam... Normalmente não posto fotos, mas que se dane. Essa sou eu, aos 12 anos, com meu pai, mais de uma década atrás, mas serve para conhecê-lo: 


             A qualidade da foto é péssima, mas é uma foto da foto da foto? Então, me desculpem... Mas dá para perceber como eu gostava dele, pois estava no seu colo. Eu só sentei no colo de duas pessoas nessa vida: da minha mãe e do meu pai. Essa foto tem 17 anos... E no entanto, é como se fosse ontem. Enfim... 

          Caso alguém tenha lido toda essa ladainha, espero que tenha gostado de saber um pouco mais sobre a dinâmica pai/filha que eu tive. Espero que alguém se sinta representado, pois mesmo não sendo a melhor das relações, é alguma coisa e faz parte do que sou hoje. 

          Espero ser mais breve  no próximo post. É isso... Eu acho. 


Já faz um tempo...

      Já faz um tempo e parece que nada melhora. Nada realmente muda. São as mesmas velhas reclamações, o mesmo velho vazio, a mesma velha f...